Arte com Papel

folhetos de cordel pendurados

Conheça Tudo e Mais Um Pouco Sobre Como fazer um Cordel

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Atenção minha nobre amiga

Que está aqui só para ler:

Hoje o Arte com Papel

Traz ensinamento para você.

Da minha cultura nordestina

Que nós já vamos prosear

E do meu tão querido cordel

Que você vai se apaixonar!

A cultura nordestina é incrível e muito diversificada. Sua culinária, seu artesanato e suas tradições passam de geração em geração, criando assim, raízes muito fortes.

E dentro desse universo tão diversificado, uma forma de arte bem famosa e que virou marca registrada do nordeste é a literatura de cordel. E faz muita gente se perguntar: como fazer um cordel.

Quem possui família com origem nordestina muito provavelmente já ouviu falar nas inúmeras histórias de cordel. Mas se você que está lendo hoje ainda não conhece. Te trago hoje a oportunidade de mergulhar nessa cultura e aprender sobre esse gênero tão brasileiro.

E se você é professor ou professora, aqui hoje ainda vão ter dicas incríveis de como montar o seu próprio cordel e você vai poder levar isso para sua sala de aula caso esteja trabalhando a cultura no Brasil.

Então vamos ao que interessa, porque tenho muita coisa para te mostrar!

O que é a literatura de cordel?

Foto Elo7 por Damaarteira

O cordel surgiu como uma forma de expressão da cultura popular do interior do nordeste e ela passou a ganhar força por todo o Brasil entre os anos de 1930 e 1960 quando muitos nordestinos saíram de sua terra natal e migraram para as demais regiões do Brasil em busca de melhores condições de vida e para fugir das secas.

E muita gente talvez nem siba, mais a origem do cordel é até bem mais antiga, possuindo registros durante a Idade Média na Europa!

Quando você viaja ao nordeste ou então visita feiras em outros Estados que sejam sobre a cultura nordestina é muito fácil identificar os livrinhos de cordel. Eles costumas ser pequenos, sem muitas folhas e com letras e imagens em xilogravura bem características desse tipo de literatura.

O que é retratado nos livros desse tipo?

“Literatura de Cordel” by emerson.pardo is licensed under CC BY 2.0

A literatura de cordel é conhecida como uma verdadeira poesia popular, pois é escrita em versos e conta histórias simples, retratando o cotidiano do povo e do folclore brasileiro.

Muita gente até confunde o cordel com o repente (poesia cantada e improvisada feita com o auxílio de instrumentos). Isso acontecia porque os cordelistas usavam de vários meios para chamar a atenção para seus folhetos e uma delas era cantar sua poesia escrita. Sendo assim, cordel e repente são duas manifestações diferentes.

Os principais temas retratados pelos repentistas e presente nos folhetos de cordel são:

Todos esses temas são retratados seguindo uma métrica e rimas. A linguagem coloquial, o humor, a ironia e o sarcasmo também são bem marcantes nesse gênero.

Conheça agora alguns nomes famosos de cordelistas aqui do Brasil:

  • João Martins de Athayde (PB) – Considerado um dos maiores editores do cordel. Lançou o folheto “Serrador e Carneiro”.
  • Apolônio Alves dos Santos (PB) – Esse paraibano escreveu cordéis famosos como “Maria Cara de Pau e o Príncipe Gregoriano” e “Discussão do Carioca com o Pau-de-Arara”.
  • Cego Aderaldo (CE) – Nascido em Crato, se descobriu no cordel e as rimas após ficar cego. Ficou famoso com suas histórias e inclusive ganhou até uma estátua em Quixadá.
  • Firmino Teixeira do Amaral (PI) – Foi o criador do estilo trava-língua na literatura de cordel. Uma de suas obras mais famosas foi “A Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum”. Esse folheto inclusive mais tarde foi gravada por Nara Leão e João do Vale.

Esses e outros tantos autores são responsáveis por criar e difundir esse gênero literário que retrata tão bem a nossa sociedade brasileira e principalmente a cultura do nordeste do país. Esse povo guerreiro que mesmo diante de adversidades consegue produzir muita cultura, que faz parte da história do nosso país.

O cordel na escola:

Se você que está lendo esse artigo hoje é professor, saiba que a literatura de cordel é ótima para ser trazida para a sala de aula para ensinar sobre nossa cultura.

Um ótimo momento do ano para introduzir esse tema é no período da festa junina que também é bem forte no nordeste. O legal é que você pode desenvolver um projeto multidisciplinar com professores de outras disciplinas. Por exemplo, estabeleça com a turma um projeto onde no final eles deverão entregar um folheto de cordel.

O professor responsável pelo português pode trabalhar esse gênero literário, falar sobre as rimas e a métrica. Já o de artes pode abordar a questão da xilogravura e ajudar a montar a capa e as imagens do folheto. Até mesmo o professor de história pode aproveitar e discutir o contexto em que muitos cordéis foram escritos.

Tenho certeza de que os alunos vão adorar e irão embarcar de cabeça nesse tipo de projeto.

Como fazer o cordel:

Mas não pense que para fazer cordel é só sair criando rimas não, ouviu? Esse tipo de literatura exige que a gente se preocupe muito com a forma, então se você quer fazer seu próprio cordel presta atenção nessas dicas que eu tenho para você:

  • Sua história precisa ter um início, um meio e um fim.
  • A métrica é muito importante então todos os versos.
  • Uso de estrofes em quadra, sextilha, septilha ou décima.

Fora essas regras, o que vale mesmo para escrever um cordel é a sua criatividade. Incorpore o cordelista que existe em você e tente escrever seus próprios versos. Pense na história que você deseja contar e coloque uma pitada de humor.

Se por exemplo você for professor ou professora e estiver desenvolvendo o projeto de montar o cordel com seus alunos, monte rodas de apresentação para que eles possam dizer em que passo andam os folhetos deles.

O legal é que o cordel possibilita fazer folhetos com diversos temas, sejam eles de temas do cotidiano, românticos ou até mesmo voltado para o público infantil. Cabe ao autor decidir qual deseja fazer.

Como fazer as ilustrações:

” Exposição homenageia patrono da literatura de cordel ” by CulturaGovBr is licensed under CC BY 2.0

Conforme já comentei anteriormente, as ilustrações dos cordéis são bem características desse gênero e são feita usando a técnica da xilogravura.

E a xilogravura é uma forma bem antiga de se fazer impressão. Desde a Idade Média se utiliza essa técnica como se fosse um carimbo para fazer livros.

Mas antes que você pense que é muito difícil de fazer ilustrações para o seu cordel usando a técnica da xilogravura eu já vou te tranquilizar e mostrar uma técnica bem fácil e não são precisos muito materiais. Espia só!

Materiais necessários:

  • Bandeja de isopor (daquelas que vem a carne no mercado sabe?)
  • Lápis preto
  • Tinta guache ou acrílica
  • Tesoura
  • Rolo de tinta

Passo a passo:

  1. Primeiro, recorte as bordas da bandeja de isopor e deixe-a com as bordas arredondadas.
  2. Segundo, com o lápis faça o desenho que melhor retrata o tema do seu cordel e afunde bem no isopor para que fique os sulcos bem definidos.
  3. Terceiro, aplique a tinta no isopor com o auxílio do rolo de tinta.
  4. Quarto, pressione a bandeja de isopor no papel que você está fazendo a capa do seu cordel e cuidado na hora de tirar para não borrar.

DICA: As letras para o título do seu folheto podem ser feitas do mesmo jeito. Só cuidado pois no isopor elas precisam ficar ao contrário, como se fosse um espelho.

Você também pode fazer ilustrações com a xilogravura usando a madeira, mas daí já é um tipo de trabalho bem mais complexo, que necessita ferramentas mais específicas e para nós que estamos querendo fazer um cordel simples não iremos precisar.

Essa técnica de xilogravura com isopor é bem fácil também de levar para a sala de aula e trabalhar com seus alunos. Independentemente da idade que eles tenham, todos irão conseguir produzir algum tipo de desenho para transportar para o papel.

Uma outra dica é usar um papel mais grosso como o Canson. Assim não corremos o risco de estragar sua ilustração.

” Cleverton Ribeiro_Xilogravura ” by MTur estinos is licensed under CC BY 2.0

Bom minha amiga, depois dessa conversa de hoje, deu para perceber que fazer um folheto de cordel não é uma coisa do outro mundo. É claro que você precisa respeitar as métricas, mas nada que não seja impossível.

Nas escolas também ele é uma ferramenta ótima para trabalharmos a vasta e diversa cultura brasileira. É sempre bom valorizar o que nosso país tem de melhor e nesse caso, esse gênero literário diz muito sobre o nordestino e o povo brasileiro.

E se eu comecei esse artigo arriscando uns versos bem humildes, não podia deixar de terminar de forma diferente e homenagear mais uma vez o cordel brasileiro.

Até mais ver minha amiga

Pois eu já vou me retirar

Nosso papo foi bem gostoso

Eu Gostei muito de ensinar.

Sobre o nosso lindo cordel

Essa nossa forma de expressão

Do meu nordeste brasileiro

Se espalhou por esse Brasilzão.

Arte Com Papel: Acreditamos Que Com Arte o Mundo Pode Ficar Ainda Melhor. Por Isso Compartilhamos Ideias Simples Que Podem Ser Feitas Em Sua Casa.

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